.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quinta-feira, 20 de Maio de 2010

QUEM TEM MEDO DA DONA FÚRIA?

A Fúria despertou! Ninguém a agarra

Pois chispa, estala, salta e faz fagulha,

Estrebucha, rosna, alastra e pede bulha

E só na própria bulha é que se amarra.

 

Tudo o que a Fúria encontra, em fúria estraga

E queima e deixa negro como a hulha

Mas, depois de passar nessa algazarra,

Cabe bem no buraco de uma agulha…

 

Quem tem medo da Fúria? Quem o tem?

Depois de rebentar, logo se acalma,

Chega a pedir desculpa e, de pasmada,

 

Não sabe, nem sequer, que lhe convém

Mostrar tudo o que ainda traz na alma

E fica, de repente, envergonhada…

 

Maria João Brito de Sousa

18.05.2010 – 20.30h

 

 

 

 

 IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

 

 

 

 

 

 

 

 

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 11:48
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11 comentários:
De linhaseletras a 20 de Maio de 2010 às 14:13
Olá Maria João, que bonito soneto mesmo sendo falando de"Fúria" Eu acho que a fúria é menos "agressiva" se for deitada cá para fora.
A que fica "retida" cá dentro faz muito mais estragos. Depois de sair perde a força e esfuma-se ao passo se ficar retida está sempre a fazer mal.
Um grande abraço

De poetaporkedeusker a 20 de Maio de 2010 às 14:21
É isso mesmo, amiga... mas eu não estava nada furiosa quando escrevi este soneto... estava apenas a fazer pequenas reflexões sobre a nossa emotividade colectiva. Neste momento tenho muitas, muitíssimas razões para estar triste. O Kico está pior e a medicação que está a fazer é apenas paliativa. Tem um edema muito volumoso na traqueia e, quase de certeza, é um tumor. Estas duas últimas noites foram terríveis para nós os dois. Isto está a ser mesmo muito difícil e eu, ontem, só produzi dois sonetos tão magoados que acho que nem os vou publicar.
Um abraço grande.
De M.Luísa Adães a 20 de Maio de 2010 às 15:35
Mª. João

Sei que o Kico está a morrer.

Horrível, minha amiga, horrível.

Nem comento o que escreveste na tua fúria,
estás cheia de razão.
Quanto o lamento!!!

Coragem - uma vez mais! Coragem!!!

Maria Luísa
De M.Luísa Adães a 20 de Maio de 2010 às 15:41
Mª. João

Disse tão pouco e tanto deveria dizer.

Não palavras de circinstância, pois tu estás a sofrer e muito, mas só eu entendo isso!

Quanto lamento!!!

Nada mais sei dizer!Desculpa a vida, desculpa
o que te deixaram. Desculpa!!!
E desculpa-me a mim!

Maria Luísa
De poetaporkedeusker a 20 de Maio de 2010 às 16:13
Amiga, não tenho rigorosamente nada a desculpar-te! Eu, aqui, vou tentando que o trabalho me distraia, mas é muito difícil estar a vê-lo morrer lentamente. Não vou dizer que não... ontem à noite eu sofri horrores! Pensei que ele ia ficar ali, naquela noite, mas ele ainda luta muito pela vida. Agora vou ter de ir, de novo, ao veterinário... mas não sei o que faça, amiga. Não sei mesmo. Esta minha fúria é quase uma brincadeira ao pé da imensa tristeza que me invade quando o sinto piorar. Antes ele tivesse morrido de repente e eu me tivesse enfurecido... esta tristeza lúcida é muito pior do que qualquer fúria, amiga.
Um grande abraço!
De M.Luísa Adães a 20 de Maio de 2010 às 17:13
Mª. João

Eu peço desculpa por não estar ao pé de ti e fazer parte do contexto que escreve palavras
de circunstância.

"Tu foste a única pessoa no sapo que me entendeu e aceitou como sou!" Entendes?
E me aceitou como sou!

Por isso e por tudo, eu deveria estar contigo.

Sei que estás a sofrer muito e estás só;
o Kico está a sofrer - não merece, sempre deu Amor incondicional e continua a dar
até Deus o levar.
Fala com o veterinário para que lhe deminua
o sofrimento.
Ele não tem pecados para sofrer !
Sofre por ele e por ti.
Pede conselho e ajuda ao médico.
Na terra , só o médico pode ajudar.

beijo,

Mª. Luísa

De poetaporkedeusker a 21 de Maio de 2010 às 11:56
Amiga, não te aflijas, o Kico melhorou um bocadinho e, ontem à tarde, já não estava naquela tremenda aflição para respirar. Está a fazer altas doses de cortisona injectável e Primpéran. Não te vou dizer que esteja bem, mas está bastante melhor... anteontem chegou a estar com a língua azul, tal era a dispneia. Foi terrível e eu temi, a cada instante, que ele morresse no pior dos sofrimentos, mas Deus quis que ele melhorasse por mais um dia ou dias... que sei eu? Sei que, neste momento, ele não está a sofrer.
Obrigada e um enorme abraço!
De poetabrasil a 20 de Maio de 2010 às 18:40
A fúria. O que é a fúria diante do amor?
Melhor não são os risos da alegria do que o rosnar da fúria humana?
Vejo fúria quando o amor se vai. Vejo fúria quando a natureza é atacada pela mão do homem. Quando os animais são maltratados pelo homem, que se julga superior.
Vejo fúria em que exerce o poder por conta e ordem de outrem.
Mas a fúria é obra da matéria estampada na vaidade.
A verdade da vida não está na fúria, mas na simplicidade do amor.
Como a natureza é bela! E nela há pessoas belas! Há belas poesias que engrandecem o coração como os poemas de Maria João!
De Vítor a 20 de Maio de 2010 às 22:13
Maria João,fúria de poeta...!!!

Bj*
De poetaporkedeusker a 21 de Maio de 2010 às 12:04
Furiazita, Vitor :)) era só uma furiazita... aliás, uma pequena dissertação sobre a fúria.
Abraço enorme e muito obrigada!
De poetaporkedeusker a 21 de Maio de 2010 às 12:01
Obrigada, poeta irmão! Esta fúria nem sequer é muito mazinha... é uma furiazita de trazer por casa e, como todas as fúrias, não tem grande poder... explode e logo se envergonha e pede desculpa...
Hoje vou tentar divulgar dois eventos de animação cultural que terão lugar aqui, em Oeiras. Sei que está muito longe , mas vou tentar manter-vos ao corrente dos acontecimentos. Amigo, o soneto clássico vai sair à rua, aqui em Oeiras!
Abraço granede!

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