.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

TELA II

Sei-me das densas cores que em mim pintares.

[meu corpo, todo, em esdrúxulos prazeres

na anunciação daquilo que quiseres

porquanto serei quanto em mim criares…]

 

Se, acaso não vieres, se desdenhares

Tão serena brancura, ou não puderes…

Serei a branca tela que não queres,

Aquela que te espera até voltares.

 

O risco, a cor, o traço… a tábua rasa

Do desconcerto interno que define

Meus passos – nunca inúteis – neste mundo,

 

Sei-me de branca tela, ardendo, em brasa…

Mas, como cada coisa, algo sublime

Que sabe – ainda… – ser ventre fecundo.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa  - "Puberdade", Pastel de Óleo, 1999

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 11:07
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14 comentários:
De artesaoocioso a 12 de Maio de 2010 às 12:07
Mais um inspirado soneto!
Pode estar tranquila, terá inspiração ao final dos dias; esta´nos genes.
Um abraço
De poetaporkedeusker a 12 de Maio de 2010 às 12:14
Muito obrigada, meu amigo. Hoje estou mesmo fraquita, mas tenho uma boa justificação. O meu cãozito está com um edema pulmonar e eu tive de lhe dar assistência durante toda a noite. Desculpe se o não visitar hoje.
Abraço gde!
De linhaseletras a 12 de Maio de 2010 às 14:04
Belo este soneto como sempre, já vi que está de rastos de novo por causa do" Kico ".
Tenha esperança porque pode ser que passe, mas ele já andava muito fragilizado é natural que qualquer coisa o deite abaixo , mas com os seus cuidados ele vai melhorar tenho a certeza.

Um grande abraço
De poetaporkedeusker a 12 de Maio de 2010 às 15:05
Venho, agora mesmo, de casa. Fui-lhe dar a injecção e ele já não estava a respirar com tanta dificuldade, mas não comeu nada de nada... daqui a pouco vai, de novo, ao veterinário. Este está a ser um dia "daqueles"!
Estou mesmo, mesmo exausta.
Muito obrigada pelas suas palavras e um grande abraço para toda a família!
De M.Luísa Adães a 12 de Maio de 2010 às 16:03
Mª. João

Puberdade é lindo, como todo o teu mundo literário - do outro pouco sei!

Mas este me interessa, sem esquecer a pessoa humana que tu és!

Pergunto:

a 1ª. palavra "Nestoutro" imenso e tumultuoso mar...

Nestoutro - é uma aglutinação, admitida nos poemas? Eu penso que sim, mas quero a certeza!

Devia começar por agradecer a gentileza e
amizade de um texto bastante belo - mas eu
ciosa de meu "Eu poético", começo sempre ao contrário.

Neste caso, há um pouco, ou muita, ignorância?
Mas estou convicta que se trata de aglutinar duas palavras e aos poetas, muito é permitido.

Adorei o que escreveste. Preciso de ter a certeza da aglutinação e agradeço, profundamente, o teu trabalho e a noção bem clara que te ficou de mim.

Obrigada.

Mª. Luísa

p.s. Seria..." neste outro" Nestoutro - correcto?

De poetaporkedeusker a 12 de Maio de 2010 às 16:31
Olá, minha querida Maria Luísa. Estou de saída, mas ainda vou tentar responder-te; sim, mas apenas em poesia ou em prosa que se pretende didática. Não é usado em linguagem corrente, mas eu encontrei-a nos grandes clássicos da poesia, até do séc XX... mas tenta perguntar a alguém que tenha uma maior formação em românicas. Eu uso-a muito, mas entendo que te possa parecer um pouco arcaica...
Um enorme abraço!
De M.Luísa Adães a 12 de Maio de 2010 às 18:00
Eu gosto do termo. Não é arcaico. É muito
bom!

Eu só queria saber se estava correcta a minha análise. O termo fica! Muito bem!
Agradeço.

Mª. luísa

p.s.torno a escrever
De poetaporkedeusker a 13 de Maio de 2010 às 12:22
Olá, minha amiga. Já estive com uma pessoa licenciada em românicas e ela confirmou a pertinência do termo. Sim, é uma aglutinação "neste+outro".
Não tens nada que me agradecer. Saiu-me do coração.
Não há ignorância nenhuma, amiga! Não é um termo usado na linguagem oral do dia a dia, mas está correctíssimo.
Estive toda a manhã no CJO à espera de que o técnico fizesse a mudança dos discos rígidos, mas acabei por ter de vir ao Centro Paroquial... e estou com o trabalho atrasadíssimo. O Kico está vivo, graças a Deus, mas hoje é um dia difícil para mim. Mesmo ao fim de 21 anos o dia ainda me toca... foi o dia em que o meu menino nasceu e morreu. Mas já não choro, amiga. Já não choro.
Abraço muito grande.
De ligeirinha a 13 de Maio de 2010 às 16:54
um grande abraço e mil beijos pelo dia de hoje, eu sei é triste....
De poetaporkedeusker a 13 de Maio de 2010 às 17:22
É estranho, não é, amiga... tantos anos e, deste dia, eu nunca me esqueço... talvez por isso me esqueça de tantas e tantas datas e de tantas outras coisas. Talvez seja uma tentativa de me defender que nunca bate certo porque deste eu não me esqueço...
Bjo GDE e obrigada!
De M.Luísa Adães a 13 de Maio de 2010 às 19:32
Mª. João

Eu sabia que era aglutinação - calculei, era de
calcular, vindo de ti.

Sou muito tua amiga - sabias? Alguma vez te tinha dito? Nunca disse desta forma!

Tu já não choras - ainda bem - mas eu chorei por ti e por ele!

Me sinto triste e confusa!

Melhoras do Kico - que possa viver mais um
tempinho.

Beijos,

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 14 de Maio de 2010 às 10:59
Obrigada. Muito obrigada, amiga. Ele está-se a aguentar. É um bichinho muito "rijo", apesar de ser cardíaco num grau muito elevado e de estar muito, muito velhinho. E eu disse que já não chorava mas, quando um desses amigos de quatro patas me morre, pareço uma criança a soluçar. Desfaço-me toda em lágrimas. Eles são amigos dedicados, incondicionais e amam de uma maneira indescritível. Tu nem imaginas o que aquele cãozinho gosta de mim. E está constantemente a demonstrá-lo! Até dá "marradinhas" como os gatos. Não sei o que será de mim quando eles seguirem o rumo natural e chegarem ao fim das suas vidas. Agora estão todos muito velhotes. Os gatos também.
O Dr. Rui Anjos, da Vetpatas, acudiu-lhe logo com cortisona, diuréticos, Renitec e antibióticos injectáveis. Só tenho de lhe estar muito grata porque é sempre a ele que recorro e o Kico é um bichinho muito doente por causa do problema cardíaco que tem. Não têm conta as vezes que ele me ajudou a salvá-lo... e conseguiu sempre!
Um abraço muito grande, amiga!
De M.Luísa Adães a 14 de Maio de 2010 às 11:55
Mª. João

Agradeço me esclareceres e fico contente
por ele estar a melhorar. Eu ainda choro pela Maggie e tenho saudades, " muitas saudades".
A minha casa ficou vazia, sem a presença dela.
Eu tenho uma vantagem, acredito na existência de uma vida para além da morte que não exclui os animais.
Um dia, encontro a Maggie! Não digo isto
por dizer - acredito até ao âmago!

É essa a minha vantagem em relação ao que conheço, isso me dá certezas e felicidades.

Continuo no google!
Se possível, passa por lá e deduz...

Vai através do prosa-poética onde diz ,
"os7degraus".

Espero sempre por ti.

E se possível, vê no prémios a Maria Luísa
quase clássica e a Mª. Luísa simples.

São as duas primeiras imagens. Podes ir através do Prosa.

As melhoras.

Beijos,

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 14 de Maio de 2010 às 12:01
Eu vou já ver-te ao Google, amiga. E também quero ver-te nos Prémios! Dá-me só um bocadinho porque isto está cheio de gente e eu estou aflitinha para ir aos sanitários...
Bjo!

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