.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Segunda-feira, 1 de Março de 2010

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA V

 

 

 

 

AMOR TAMBÉM É

 

Amor é também este latejar

Das asas invisíveis do meu peito,

Das asas de cristal com que me enfeito

Quando faço um poema e sei voar.

 

É também este estar sem nunca estar

E esta aspiração ao Ser Perfeito,

Quando a noitinha vem, quando me deito

Debaixo das cobertas do luar.

 

E tudo quanto vive e me rodeia

Se vem deitar comigo e, num abraço,

Nos recomeça o sono e viajamos.

 

Todos os rituais desta alcateia

São feitos desse amor, como se um laço

Unisse árvore mãe aos filhos ramos.

 

 

A TEORIA

 

Já vos contei das almas pequeninas

Que há por detrás de cada ser vivente?

Já vos falei do que é mais transcendente

No vislumbrar das almas clandestinas?

 

A vós que acrescentais obras divinas

A tudo o que acontece e, de repente,

Esqueceis o que, no fundo, é mais urgente

Por ser inseparável destas rimas,

 

Vou contar um segredo tão secreto

Que é bem possível que me não escuteis,

Que penseis que tudo isto é fantasia…

 

Mas faz parte do mundo, é bem concreto

E existe para além do que entendeis

Embora o apodeis de “teoria”…

 

 

 

OUTRAS ENXADAS...

 

A insinuação vem de mansinho

Sob um anonimato relativo…

É com os seus disfarces que convivo

Ao longo desta estrada em que caminho.

 

Sei bem quando ela vem porque a conheço,

Porque sei bem daquilo que é capaz,

Sei que mesmo fingindo vir em paz

Traz consigo traições que não mereço…

 

Talvez a minha enxada – a minha escrita –

Não escave, como a grande maioria,

O alimento ou mesmo a construção…

 

Talvez não seja óbvio o que suscita,

Mas escava as fundações da Poesia,

Tal como as outras vão cavando o pão.

 

 

 

 

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 11:51
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13 comentários:
De tardesdeoutono a 1 de Março de 2010 às 13:01
UMA VISITA



Faz tempo não fazia uma visita
A este espaço seu que me deleita;
Hoje arranjei um pouco... e desta feita
Cá vim, ao som de música bonita,


Ver como a poesia em si habita
Em sequência que... direi perfeita!
Como se panaceia pra maleita
Mostrando a cada dia aqui a dita


Nas veias corre em si, tal como um rio...
E nem sequer eu tento um desafio
Se bem que possa ver que me apetece


Prossiga nessa força e nesse brio!
Que o tempo ele é de Inverno, corre frio,
E tantos corações sempre ela aquece...


Beijinho
Joaquim Sustelo




De poetaporkedeusker a 1 de Março de 2010 às 15:58
:) Muito obrigada, Joaquim! Tenho imensa pena de lhe não conseguir responder em soneto, mas estou completamente "desinspirada", muito provavelmente porque estou adoentada... só consegui produzir estes três sonetos durante todo o fim de semana. Estou com dores de cabeça - sinusite - e este desconforto físico "roubou-me" a criatividade toda.
Enorme abraço.
De Talvez... a 1 de Março de 2010 às 16:55
O primeiro é, definitivamente, o meu favorito, especialmente a última estrofe. «Unisse árvore mãe aos filhos ramos.», bela imagem, sem dúvida.
No soneto seguinte, aprecio especialmente a primeira estrofe, com aquele seu termo, "almas pequeninas". Esses dois primeiros sonetos dizem-me mais, talvez pelo carácter mais metafórico/ transcendente que aparentam possuir.
O último soneto, parece trazer uma mensagem mais subtil... ;)

Uma pergunta que me surgiu no outro dia, há alguma razão que a leve a preferir os sonetos para escrever?
De poetaporkedeusker a 1 de Março de 2010 às 17:08
Pois essa é uma das tais razões que me transcendem, Talvez... eu escrevo poesia desde os meus três anos de idade e só em Abril de 2007 me apaixonei - loucamente - pelo soneto clássico... neste momento estou a retomar uma linha mais semelhante àquela em que escrevia anteriormente no http://liberdadespoeticas.blogs.sapo.pt/. Há coisas que eu não comando mesmo... apenas posso garantir todo o trabalho e todo o esforço que possa dispender, mas o nascimento de um soneto realmente muito bom só ocorre de vez em quando e eu nem sei explicar porquê... por isso nasceu o porkedeusker do/a poeta. Exactamente porque eu não soube responder a essa mesma pergunta.
Obrigada pelas suas palavras!
Abraço!
De Simbologia do aMoR a 1 de Março de 2010 às 16:55
Oi amiga

Que criatividade heim!
O amor é tudo isso!
Que mais podemos dar...
A este amor tão imenso?
Talvez... A vida.


Abraço

De poetaporkedeusker a 1 de Março de 2010 às 17:18
Sim, amiga. É mesmo a Vida!
Abraço grande. O acesso está quase a terminar!
De linhaseletras a 1 de Março de 2010 às 22:15
Que belos sonetos, os dois primeiros para mim são uma maravilha, mas eu sou suspeita porque gosto de todos os sonetos que a Maria João faz.
Um abraço
De poetaporkedeusker a 2 de Março de 2010 às 12:16
:) Nem queira saber, Idalina! Cheguei agorinha mesmo do dentista e sinto a boca como se estivesse cheia de pedras :)) Vou ter de sair já de seguida. Isto foi só mesmo para vir espreitar se havia algum comment. O refeitório tem horários que eu devo cumprir rigorosamente.
Um enorme abraço!
De alfa a 1 de Março de 2010 às 23:20
Maria João, adorei , mais uma vez. Fim de semana de inspiração. Já tenho saudades de a ver no meu blog. Já conseguiu ultrapassar o problema técnico? Bjs
De poetaporkedeusker a 2 de Março de 2010 às 12:20
Não Alfa. Ainda não consigo comentar o seu blog... e não é o único. Como estou num serviço público, não posso fazer nada... nem sequer reiniciar o computador porque, se o fizer, fico sem acesso. Naquele dia em que consegui comentar devia estar cheia de sorte! :)) Mas eu volto à tarde e prometo tentar mais uma vez!
Abraço GDE!
De poetaporkedeusker a 2 de Março de 2010 às 15:00
"Versos suaves, inteligentes... e um dos meus "pontos fracos" - ou fortes? - nesse sapinho que faz parte do meu imaginário. Do infantil, do adolescente, do da maturidade e do da velhice na qual vou entrando com muito orgulho :))
Sorte a minha em ter conseguido ver essa imagem! Na grande maioria dos casos, só vejo quadradinhos ou rectângulos brancos em vez de imagens... :)
Abraço GDE, Alfa!"
Peço imensa desculpa mas o comment não saía nem com a minha conta do Google!
De poetabrasil a 2 de Março de 2010 às 00:15
É muita inspiração para o início da semana.
Mas a amiga poetisa tem o dom do verbo e da rima, além de um coração puro de amor e bons sonhos.
Que Deus a ilumine!
De poetaporkedeusker a 2 de Março de 2010 às 12:22
Que Deus o ilumine também a si, poeta irmão! Vou ter de deixar a sala porque o horário do refeitório é para ser cumprido e eu já estou um pouquinho atrasada... mas volto durante a tarde!
Abraço GDE!

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