.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

QUINTA, SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A PALETA

(A minha paleta, à luz da Biopsicografia)

 

Em azuis e magentas me descrevo.

Em verdes e castanhos vou vivendo

Porque o sol se levanta num crescendo

Aspergindo outros tons sobre este enlevo

 

E nunca sei se devo ou se não devo

Cobrir-me desse negro a que me prendo...

Mas, enquanto não sei, eu vou sabendo

Que mesmo sendo cor, eu sempre escrevo

 

Pois sou uma paleta das ideias:

Sou apenas um leito de grafismos,

A matriz da palavra em gestação!

 

É som, o que me corre pelas veias,

O que vai dando cor aos silogismos

Que nascem porque bate um coração...

 

A VARANDA DE DEUS

 

Deus tem uma varanda junto ao mar...

Eu, que nela nasci, vou descrevê-la:

Essa varanda é como uma janela

Onde Deus se debruça p`ra sonhar...

 

E é, essa varanda, um doce lar

Para possa querer descansar nela...

É pequena, a varanda, mas é bela

E cabe nela o mundo... se mudar...

 

Cabe nela aquele que vem por bem,

O que foi perseguido e quer abrigo,

Aquele que já pecou e quer perdão,

 

O que venha sonhar como Deus vem,

O que venha esquecer cada castigo

E o que jamais condene o próprio irmão... 

                                 

 

UM BRILHOZINHO NOS OLHOS DE UM COMETA

  

 

 

 

 

 

 

 

 

Era um brilho nos olhos de um cometa

E eu, que partilhava tudo, tudo,

Rodei sobre o sofá, num gesto mudo,

Fugindo à posição da linha recta…

 

E sorri, eu também, enquanto ouvia

O que disseste em tom coloquial

Naquela peçazinha cultural

De um minutinho, só, de Astronomia…

 

Foi o Deus dos Acasos? Foi a vida?

Já nem pergunto mais e tudo aceito

Sem me sentir, sequer, muito intrigada,

 

Como se a história fosse então cumprida,

Como se tudo ali fosse perfeito

E eu fosse, finalmente, retratada… J

 

O PRESÉPIO II

 

Que frio que estava ali, que frio fazia…

E, no entanto, a luz que então brilhava,

Aquecia, por dentro, e semelhava

Um sol pequeno e pleno de magia.

 

Nas palhas, um menino que sorria…

Era p`ra ele que a luz se desdobrava

Como se tudo, tudo o que ali estava,

Nos enchesse de súbita alegria…

 

Tantos meninos, tantos, já passaram.

Tantos viveram e nos cativaram

Com obras geniais, vidas notáveis…

 

É, no entanto, aquele menino pobre

Que a luzinha, brilhando, nos descobre,

Quem nos desvenda as coisas improváveis…

 

 

 

 

 

 

 NOTA - Peço desculpa por esta anarquia gráfica que não consigo remediar de forma nenhuma... acho que a minha pen se incompatibilizou  de vez com o 2008... hoje nem sequer consegui copiar os sonetos do fim de semana e tive de usar alguns que eu penso (?) ainda não ter publicado e que estavam, por acaso, na dita pen...

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 14:21
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2 comentários:
De linhaseletras a 29 de Dezembro de 2009 às 14:05
Boa Tarde, então está melhor do abcesso , assim nem pode comer o bolo -rei, sabe eu não tenho abcesso e não comi bolo-rei, mas como congelei, qualquer dia quando me esquecer destes doces todos ,hei-de comer e vai saber melhor ainda.
Os seus fins de semana continuam a ser muito produtivos, onde vai buscar tanta inspiração, eu ando um pouco parada não sei se é do cansaço, ou se estou a ficar sem "veia poética"

Um abraço e um bom ano de 2010


De poetaporkedeusker a 29 de Dezembro de 2009 às 14:44
Não, minha amiga! A Idalina não é o tipo de pessoa que fique "sem veia poética"! Pelo contrário. Acredito que esteja a passar por um momento menos produtivo, o que é absolutamente natural. Todos os poetas têm esses períodos em que os poemas parecem afastar-se... mas, de repente, sem que possa entender porquê, eles lá vêm, todos juntos e deixam-nos "de língua de fora" porque mal temos mãos para escrever tanto! Sempre foi assim e sempre será... é bom que assim seja ou acabaríamos por nos esgotar física e psiquicamente. Eu, neste preciso momento, até estou numa dessas fases de menor inspiração, acredite! Antes deste "descanso" tinha tido um período em que quase não conseguia parar de escrever!
O dente só agora está a portar-se um bocadinho melhor, mas o abcesso ainda cá está e a caixa do antibiótico acaba amanhã... não sei se não terei de ir ainda hoje ao Centro de Saúde... esta infecção está a deixar-me "de gatas"... estou que quase nem consigo andar. Parece que fui atropelada...
Ainda nem consegui arranjar inspiração para aqueles desenhos, sabe? Peço imensa desculpa, mas a cabecita também está exausta, como o corpo. Deve ser disso.
Um enorme abraço para si e para toda a família!

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