.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

DE OLHOS NOS OLHOS

 

 

 

 

01.52.jpg

 

De olhos nos olhos, peço pr`a falar

E, embora sem voz, digo-vos mais;

Falo por mim, por quantos animais

Vós preferistes nem sequer lembrar

 

E pedindo a palavra que não tenho

(só tenho o gesto amigo do perdão…)

Inicio esta minha prelecção

Com os olhos em vós, pois por vós venho…

 

Sabeis que sou o bicho abandonado,

O esfomeado, o pária, o que não chora,

O tal que nunca sabe onde dormir,

 

Que vos pede a palavra e, já cansado,

Deixa-vos a palavra e vai-se embora,

Pr`a .dar lugar ao bicho que há-de vir.

 

 

Maria João Brito de Sousa - 07.10.2010 - 12.25h

 

 

 No próximo dia 13, na RTP, a seguir ao telejornal não percam a reportagem sobre os tratamentos que a Ana Carolina tem estado a fazer em Cuba.

 

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 12:25
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18 comentários:
De Maria a 7 de Outubro de 2009 às 14:30
Amiga João

Já falei com o Fisga. Tem noticias no meu blog. Embora não conte tudo o que ele me disse .Bjs
De poetaporkedeusker a 7 de Outubro de 2009 às 14:43
Ok, Maria! Muito obrigada! Vou já, já ver como ele está!
Abraço grande!
De M.Luísa Adães a 7 de Outubro de 2009 às 15:15
Mª. João

O teu poema continua a falar nos animais
abandonados. E está muito bom!
Domingo estive na Arrábida, ouvi uivar no
matagal da Serra, onde não é possível entrar,
a não ser com material de ajuda.
Um deles desceu à praia com olhos de interrogação, esperando comida ou água.

Muitas pessoas que passeavam continuaram
o passeio indiferentes, eu ouvia uivar, tenho
mau ouvido, eles não ouviam, são surdos sem
recuperação.
O que apareceu, ninguém lhe ligou importãncia.

Não vi mais nenhum, nem a cadelinha que estava para ter filhotes. Devem-se ter introduzido na selva da Serra e não foram
reparados por ninguém.
Vim de lá doente. É este o nosso mundo!...
li a notícia do Fisga. Desejo as melhoras!
Lamento se encontrar doente.

Mª. João respondi ao teu comentário, muito
bom e postei. hoje, outro poema que diz
respeito "ao meu mundo".
beijos,

Maria luísa

p.s. uma coisa me admira, o convite do fisga
na netblogs, na medida em que ele está doente em santarém.

Escreve se possível!

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 7 de Outubro de 2009 às 15:35
Ai Maria Luísa... doeu-me o coração ao ler o que disseste sobre os cãezinhos da Arrábida... será que a cadelinha ou algum dos outros já encontraram quem os recolhesse? Deixa-me imaginar que sim... só por um bocadinho... eu já abriguei muitos mais animais do que aqueles que eu poderia humanamente ajudar... já não posso mesmo mais! É muito urgente sensibilizar as pessoas para o facto da capacidade de "sentir" que todos os animais possuem. Não se podem abandonar como coisas!
Vim agora do teu blog e já deixei o meu comentário no poema "Eu sou o Mundo". Vejo que aceleraste a tua produção poética online o que me deixa muito feliz pois a poesia faz mais falta do que a maioria das pessoas possa pensar.
Quanto ao nosso amigo, é possível que alguém tenha feito o pedido de amizade por ele... parece que não é assim tão difícil criarem-se sites em nome de outras pessoas... olha, eu não entendo muito disso, mas acho que é possível... espero nunca encontrar um site criado por outra pessoa, em meu nome... acho que ia ficar um bocadinho furiosa... eu sou muito, muito ciosa destes meus espaçozinhos virtuais, embora confesse que pouco saio do Poetaporkedeusker... acreditas que nunca por nunca ser entrei num chat? Devo ser muito esquisita :)))
Um grande, grande abraço!
De a 7 de Outubro de 2009 às 18:21
E os olhos dele dizem tudo... E cada vez há mais olhos famintos... E cada vez menos meios para os ajudar. E a quem compete tomar decisões, olham para o lado e assobiam.
Triste país este, que não sabe tratar dos seus.
Beijinhos
De poetaporkedeusker a 8 de Outubro de 2009 às 11:44
E as pessoas, Fá... descartam-se deles com uma facilidade... Eu penso que é importante sensibilizar as pessoas para o facto de eles serem seres que sentem dor, saudade, medo, frio, fome. Parece que a maioria os encara como meros objectos de posse...
Um abraço grande!
De linhaseletras a 7 de Outubro de 2009 às 22:28
Que soneto bonito, e a foto está muito expressiva, tem um olhar tão dócil e está só a pedir um pouco de carinha e comida, é tão fácil fazer isso assim houvesse pessoas que em vez dos abandonarem lhe dessem o que eles precisam.
Um abraço e até amanhã
De poetaporkedeusker a 8 de Outubro de 2009 às 11:53
É essa a mensagem, minha amiga Idalina. Eu nunca consigo resistir a um olhar deles. São tão genuínos nos seus pedidos e nas suas emoções... fico completamente cativada. Mas já ultrapassei os meus humanos limites há muito tempo. Já tenho sérias dificuldades para tratar dos oito animais que ainda vivem comigo...
Um grande abraço!
De rosafogo a 8 de Outubro de 2009 às 00:08
Lindo, hoje me emocionei, só de lembrar o
miar triste do meu passados quinze dias, não nos larga nem um minuto, deve ter um medo
de ficar de novo sozinho, passa o tempo aos meus pés e só se deita quando eu me vou também.
O teu soneto está lindo, espero que os ajude
que as pessoas tomem consciência do que fazem, primeiro querem muito e depois é o que se vê.
Foi a primeira vez que vi o meu marido chorar, de impotência, e por isso fiquei 15 dias na aldeia procurando em todo o esconderijo, felizmente que apareceu, a mim ninguém me tira da ideia que foi de propósito,
para nos magoar. Sabes que eu falo no jardim com ele como quem fala com uma criança,
então alguém ouviu e resolveu fazer o que fez.
Mas já passou, agora a estranha sensação que fica ´é que tenho que passar por tudo outra
vez quando ele se fôr.

Desculpa o desabafo, mas o teu soneto
trouxe a conversa aqui em casa outra vez acerca do assunto.

Desejo as tuas melhoras
deixo meu abraço
natalia
De poetaporkedeusker a 8 de Outubro de 2009 às 11:59
Coitadinho do teu Jimy! Hoje de manhã cedo lembrei-me dele e de ti. Nem me fales do que temos de passar quando eles partem! Ainda tenho a morte daquelas três meninas muito recente... a Lupa, a ET, a Minerva. E eu que também estive mais morta do que viva, a sentir-me completamente impotente para lhes acudir... bem. Vou-me calar porque isto está a ficar muito intenso.
Um grande abraço!
De M.Luísa Adães a 8 de Outubro de 2009 às 11:10

Lindo cãozinho. Amo-o, como eu sei amar!

Maria Luísa

De poetaporkedeusker a 8 de Outubro de 2009 às 12:01
:) Todos eles têm olhres tão expressivos, não é? São genuínos e carinhosos...
Obrigada e um abraço!
De M.Luísa Adães a 8 de Outubro de 2009 às 12:41
São por natureza carinhosos, meigos, amigos

adoro animais e tenho muitas saudades da minha Maggie! E ainda choro por ela e vou
continuar, não a posso esquecer.

ontem à noite, estranho, olhava a televisão e fechei os olhos por instantes e não é que

" a vejo, nova, a saltar em cima da cama "

não sei explicar o que senti - mas foi muito

estranho - seria ela que me veio visitar?

Acredito que sim! Tenho provas desse
fenomeno e nã é a 1ª. vez que acontece.

Beijos,

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 8 de Outubro de 2009 às 14:00
Sim, amiga. Eu também tenho desses episódios... é natural. A nossa memória recria facilmente aqueles que mais amamos... e quem sabe ela te veio mesmo visitar? É, por vezes, tão difícil distinguir entre o que está realmente a acontecer e aquilo que fazemos acontecer...
Um grande abraço!
De M.Luísa Adães a 8 de Outubro de 2009 às 15:23
Eu não fiz acontecer.

Meu pensamento estava muito longe.

E das outra vezes, eu não tive interferência
no acontecer do fenómeno, tenho a certeza.
Juro, embora não necessite que me acreditem, no meu acreditar eu não tenho
dúvidas, não faço perguntas, apena narro o
acontecido.
De nada mais preciso!Neste caso único, eu
sei mais do que os outros.

beijos,

Maria luísa
De poetaporkedeusker a 8 de Outubro de 2009 às 15:43
Sim, amiga. Existem situações únicas em que só nós mesmos podemos ter consciência do que está a passar-se.
Como vês ainda cá estou... ainda não consegui falar com a pequena, está a trabalhar e eu não posso interrompê-la... mas estou de coração nas mãos! Não está a ser muito fácil separar-me do Spirit, mas é impossível mantê-lo... talvez as minhas palavras te pareçam desligadas do que me disseste, mas eu não consigo evitar... estou mesmo muito concentrada nos movimentos da futura dona dele. Temos de ter um timing perfeito para evitar que ele fique muito tempo na gaiola transportadora.
Abraço grande!
De M.Luísa Adães a 8 de Outubro de 2009 às 16:38

mas o cãozinho é para dar? Que história é

essa? não é teu? Vais dá-lo a alguém de
confiança?

bem, tu é que sabes!

Maria Luísa
De poetaporkedeusker a 9 de Outubro de 2009 às 10:22
Não é o cãozinho, Maria Luísa! É o Spirit, o gatinho jovem que andava perdido e que eu ando há que tempos a tentar dar pois os outros não o aceitam. Mas não ficou feita a entrega ontem. A pessoa que vai ficar com ele foi chamada em serviço, atrasou-se e acabámos por marcar para sábado.
Tenho de fazer uma correcção urgente, amiga. Ontem andei a chamar Leo a Theo (Theodore), o irmão de Vincent Van Gogh. Não sei o que me deu... sei que sempre fui um desastre com nomes, mas Theodore merece a toda a humanidade um respeito que não pode perdoar estes equívocos. Desculpa.
Um grande abraço!

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