.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

OS FICCIONISTAS

 

E eram estas mãos que mo pediam!

As mesmas mãos que um dia tanto deram,

As mesmissímas mãos que me perderam

E agora, envelhecidas, me doíam...

 

As mesmas mãos que à terra me prendiam

E que agarrada à vida me tiveram,

As mesmas mãos que me sobreviveram

E que agora, de mim, se despediam.

 

Mas são ainda mãos! Humanas mãos,

Benditas pela entrega tão total

Dessoutros mesmos dons que Deus lhes deu.

 

São elas que vos tocam, meus irmãos...

as mesmas que, não querendo fazer mal,

Vos falam do que nunca aconteceu.

 

 

Imagem retirada da internet

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 11:36
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12 comentários:
De jose quintela soares a 31 de Julho de 2009 às 13:30
"Com mãos se faz a paz, se faz a guerra".

"Com mãos se lavra".

Alegre.

Parabéns, belo poema.
De poetaporkedeusker a 31 de Julho de 2009 às 13:54
Obrigada, caro amigo e colega de poesias.

"Com mãos tudo se faz e se desfaz"...

Um grande abraço!
De estrelaquebrilha a 31 de Julho de 2009 às 13:53
Com as mãos se faz tudo. bj e bom fds.
De poetaporkedeusker a 31 de Julho de 2009 às 14:24
Tudo, tudo, Estrelinha!
Um bom fim de semana e um abraço grande!
De eva a 1 de Agosto de 2009 às 16:32
As mãos dizem sempre mais do que julgamos quando lhes prestamos atenção.
Que belo soneto antes de eu me "recolher" ao silêncio durante um mês.
Obrigada por continuar a acarinhar-nos com os poemas (além de todo o resto).
Que Agosto lhe traga mais disas felizes!
Abraço GD!
De poetaporkedeusker a 3 de Agosto de 2009 às 14:24
Sei que, muito provavelmente, só encontará este comentário quando regressar das férias, mas fica o meu desejo de que sejam inesquecíveis e reparadoras.
Um grande, grande abraço!
De cateespero a 1 de Agosto de 2009 às 17:34
Olá M. João!
Na verdade, tal como os olhos, as mãos também falam... Gostei! Um grande abraço. António
De poetaporkedeusker a 3 de Agosto de 2009 às 14:28
Obrigada, meu amigo! As minhas, de quando em quando, ficam todas deformadas, como se estivessem com cãimbras... dizem-me que é do Lúpus, mas eu lembro-me muito bem que a minha mãe tinha exactamente o mesmo problema e as mesmas dores... felizmente para ela, só começou a ter isto depois dos setenta anos.
Um grande abraço.
De rosafogo a 3 de Agosto de 2009 às 01:08
As tuas são lindas, assim como o teu coração.
Uma boa semana, amiga deixo-te um abraço
estremecido.
Que nunca te doam, para nos mimares com tanta beleza
natalia
De poetaporkedeusker a 3 de Agosto de 2009 às 14:33
Olá, Natália. Elas são marotas, doem-me mesmo, mas só de vez em quando. De qualquer forma, já escrevi muito soneto só com um dedinho, muitas vezes o menos esperado de todos, por ter os outros todos retorcidos, como se estivessem com cãimbras.
Mas eu lá arranjo maneira de os escrever e, nos últimos dois dias, não me doeram de todo!
Um grande abraço!
De Simbologia do aMoR a 7 de Agosto de 2009 às 23:45
Olá amiga

Aqui novamente para comentar. Preferi comentar neste aqui e talvez deva saber o motivo. Sim, o motivo é a imagem.
E de tudo que passei e lendo este teu soneto eu o completo...
Que as mãos que tanto deram
E também delas tanto captaram
Como a energia emanada pela antena.
Foi assim mesmo.
Acho que me entendes.

Um abraço.
De poetaporkedeusker a 10 de Agosto de 2009 às 11:42
Olá, amiga. Se eu te dissesse que te entendia perfeitamente, estaria a mentir-te e eu não quero fazê-lo de forma nenhuma. Prometo-te que vou pensar nesse teu remate do soneto e, por vezes, acontece-me as coisas começarem a fazer sentido algum tempo depois. Antes de mais preciso de tentar evocar o que estava a sentir quando escrevi esse soneto. Não estou a fingir, Vera. Garanto-te que já não me recordo de porque o escrevi. Morreu, há poucos dias, um actor português que tu deves conhecer, pois trabalhou muito aí no Brasil. Escrevi imensos sonetos para ele, dei continuidade a um texto de prosa e a minha memória ficou-se por aí, no que respeita à criação poética. Posso garantir-te que estava a sentir o que escrevi, senão não o teria escrito, mas não consigo lembrar-me porquê.
Desculpa, mas tenho de dizer a verdade acima de tudo o mais.
Um grande abraço. Fico contente por estares de volta!

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